UM HOMEM PRESTES A MORRER

Para quem já visitou os corredores do metrô de Londres, sabe bem do alto índice de suicídios. Os chamados “jumpers” são pessoas que desistem de sua vida e se jogam nos trilhos esperando uma morte certa. Acidentes deste tipo são corriqueiros. Apesar de não conhecer a capital da Inglaterra, informações confiáveis me dizem que vidas são perdidas frequentemente e que as autoridades nada fazem para evitar tais acontecimentos.

Recentemente, ouvi uma história triste neste sentido. Um condutor ingressava em seu primeiro dia de trabalho quando uma mulher se jogou na frente do metrô. De relance, ele conseguiu ver e marcar o seu rosto para sempre. No dia seguinte, para o azar do condutor, o mesmo fato voltou a se repetir, e com a mesma mulher. Não, a suicida não sobreviveu, tratava-se de sua irmã gêmea que decidiu seguir o mesmo destino.

Com essa introdução, venho ao blog para destacar outro fato que tomei conhecimento no dia de hoje: a trágica história de Ki-Suck Han. “Condenado”. Foi com essa chamativa manchete que o New York Post publicou a foto de um homem prestes a morrer na estação de Times Square, em Nova York. Confiram a notícia no site da Folha.

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Foto: reprodução New York Post

A foto vale uma reflexão. Qual é o limite do jornalismo? Até que ponto ele se torna sensacionalismo? A imagem em si é a espetacularização do horror, assomada por seu destaque em um jornal de grande circulação nos Estados Unidos. Humanamente falando, é um desrespeito com a vítima, seus familiares e com a própria humanidade, pois sabemos que poderemos, um dia, ser protagonistas de uma foto terrível como essa – e ninguém nos ajudará.

Não se trata de frenesi pelo impacto da foto, portanto. A discussão é ética. Do mesmo modo, os jornalistas que fizeram um trote para o hospital onde Kate Middleton estava hospedada se utilizaram de um artifício mentiroso para obter a informação. E conseguiram, porém a enfermeira se matou. Para angariar a audiência, acabaram destruindo a vida da pobre mulher que, provavelmente, deve ter sido linchada pela direção da instituição para tomar atitude tão drástica.

Na reportagem da Folha, a jornalista relembra a premiada foto de 1993, no Sudão, onde um abutre espera uma criança faminta morrer para desfrutar de sua carne. Tal foto seria o céu e o inferno do fotógrafo: ele se tornaria famoso, mas seria taxado pelo resto de seus dias. Se mataria um ano depois.

Foto: Kevin Carter

Foto: Kevin Carter

Destaco, ainda, outro caso. O salvamento do garoto Gabriel Marcos Campos, de 7 anos, pela mãe dele, a costureira Maria Jerônima Campos, de 36 anos, no ano de 2007. O fotógrafo parece ter ocupado posição privilegiada para registrar um caso de quase morte. Ele nada fez para ajudar a desesperada mãe que, mesmo sem saber nadar, se jogou no açude para salvar o filho. Felizmente, conseguiu.

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Assim, a luta diária do jornalista é buscar a informação dentro de padrões éticos. Entretanto, seria ingenuidade acreditar que fatos como este não voltem a acontecer. Havia sim possibilidade de os fotógrafos ajudarem as pessoas nas fotos, mesmo que com insucesso. Mas não o fizeram.

A solidariedade deve ser maior que qualquer interesse profissional! Essa discussão, entretanto, fica para outro momento. Por hora, o que vocês acham?

REFUGIADOS, CALOR E O PROTOCOLO DE KYOTO

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2012 chegou ao fim e traz consigo o fim dos tempos. Os Maias estavam certos. Não lembro, anos atrás, de um calor tão intenso quanto o que sinto. É como se estivéssemos dentro de um forno. Sabe aquele ar quente que evitamos quando tiramos os pratos de dentro dele? Pois é. E não é exagero nenhum de minha parte. O termômetro marca 35 graus neste momento, entretanto a sensação térmica passa dos 40.

Quando fiz meu TCC para a faculdade de Direito, em 2010, tomei partido acadêmico para a preservação do estado natural. Meu tema? Refugiados ambientais – grupos que saem de seus países em função de fenômenos naturais provocados ou agravados pelo homem. Sensibilizei-me com estas pessoas, pois elas são as vítimas diretas – e primeiras – de um anunciado colapso ambiental que virá.

A COP 18 (Conferência de Partes) está acontecendo em Doha, no Catar. Trata-se de uma reunião internacional – e anual – para discutir questões ligadas ao clima. Apesar de sempre contar com a pressão de ambientalistas, ONGs, países, entre outros órgãos, os encontros geralmente terminam sem qualquer resolução efetiva. A COP 17, entretanto, realizada ano passado em Durban, na África do Sul, trouxe avanços significativos nessa luta: a ampliação do Protocolo de Kyoto para 2020 e a criação de um pacto de mudanças climáticas globais – que estabeleceria metas específicas para cada país reduzir suas emissões de carbono. Até agora, todavia, nada desse pacto.

O objetivo da COP 18 (desta e de todas as outras) é, justamente, discutir a segunda parte do protocolo de Kyoto, o maior tratado internacional para a redução de poluentes. Lançado em 1998, o acordo só entrou em vigor em 2005, após a adesão da Rússia, e não conta com a assinatura dos EUA, o maior emissor de dióxido de carbono do mundo. A renovação do Protocolo, todavia, já tende a ser um fracasso: Rússia, Japão e Canadá, signatários do primeiro período de Kyoto, não aceitaram participar da continuação.

O principal problema das alterações ambientais são a falta de ações dos países que lideram os índices de poluição. O calor que sinto atualmente é reflexo dessa realidade. Não há normalidade na estufa que chamo de “minha cidade”, qual seja, Porto Alegre.  Se o homem não tomar consciência de que está destruindo aos poucos o seu planeta, não haverá tempo para arrependimento. E os refugiados ambientais são as primeiras vítimas. Daqui alguns anos, quem sabe, a humanidade inteira?

É preciso haver sensibilidade. Ações efetivas e combativas devem ser tomadas agora para evitar catástrofes no futuro. Mais do que isso é necessário observar que as alterações do estado natural são consequência de uma contínua e irresponsável exploração do ambiente. Se o paradigma não mudar, os cidadãos do mundo continuarão sofrendo com o aumento das temperaturas.

Assim, aguardemos os próximos capítulos. Que eles sejam saudáveis para o planeta. Por hora, um banho frio e um ótimo final de semana!

LIVROS NA ESTANTE

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Estou um tanto quanto viciado em livros. Começo um, devoro e já vou para outros. O pós-leitura, entretanto, é um momento de reflexão. Digerir o que se leu é melhor do que a leitura em si, pois é neste momento onde passamos a diagnosticar os motivos pelos quais o enredo se desenvolveu daquele jeito. Meu gostar de livros, entretanto, é condicionado: jamais cederei à literatura digital.

Durante a semana observei, dentro de um ônibus, alguns jovens usando Ebooks (estes aparelhos que se espalharam de forma viral através do precursor Steve Jobs). Não temendo possíveis olhos grandes de assaltantes, eles liam arquivos que outrora eram impressos e colocados com orgulho na estante: livros. Parei para pensar. Será que os Ebooks vão acabar com o bom e velho livro em sua forma ortodoxa? Será que todo papel, por uma questão de economia e preservação ambiental, será substituído por um link dentro do computador?

Desde Gutemberg, fundador da prensa gráfica – que permitiu a propagação de um imenso universo literário – o homem deu asas à criação. A comunicação escrita, restrita então às classes dominantes viu, na impressão, uma expansão por todos os cantos da Europa. E tal evolução permanece em constante movimento, pois os impressos, tidos como grande referência de conhecimento, tiveram de se adaptar a essa nova realidade, ganhando outros formatos e se propagando pelo meio digital. Ebooks, desse modo, são a prensa gráfica do século XXI!

Em termos de praticidade, não há o que se discutir. Um livro digital pode ser carregado em um mínimo pen drive. Mais do que isso, dentro de leitores digitais é possível adentrar em um universo que vai muito além da tela de cristal líquido. Livros impressos, entretanto, são clássicos. Manuseá-los, observar sua capa, escolher entre um e outro são fatores diferenciais para leitores assíduos como eu.

A evolução dos meios de comunicação, portanto, se coaduna com a própria evolução da humanidade. No futuro, talvez os Ebooks fiquem obsoletos por uma nova tecnologia que virá. Livros na estante, todavia, são imortais. Jamais abdicarei deles.

O PAPA É POP

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Em 2005, quando morreu o saudoso João Paulo II, o conclave elegeu um cardeal para um período curto de tempo. Lembro-me dos comentários em canais de TV na época: a troca de um Papa que permaneceu durante longos anos, sobrevivendo a atentados, por outro que teria um pontificado mais curto, em função da extensa idade (78 anos). Sete anos depois, Bento XVI está com a saúde debilitada, mas seu espírito permanece pululante: o Papa criou um Twitter!

Twitter, diferente do que pensam extremistas, não é um instrumento de infiéis, mas sim uma ferramenta a mais para espalhar a palavra de Deus. Somente agora a Igreja se deu conta disso. A adaptação é extremamente saudável para estimular a fé a ultrapassar as fronteiras das novas mídias. Portanto, trata-se de um meio para contagiar os devotos que, inalienavelmente, precisam das modernas tecnologias para sobreviver.

Bento XVI se tornará o Papa mais pop da história. O resultado de seu ingresso na rede social é inegável: em apenas um dia, mais de meio milhão de seguidores. Se a fé move montanhas, deverá mostrar que 140 caracteres não são um empecilho para ensinar os valores da Bíblia. Além do inglês, os tweets também serão traduzidos para o espanhol, italiano, português, alemão, polonês, árabe e francês.

Joseph Ratzinger, assim, dá um passo vanguardista convergindo aquilo que nunca se opôs: crença e tecnologia. Apesar de não ter o carisma de seu antecessor, o Papa começa a mostrar serviço. Boa sorte para ele, pois a humanidade precisa ter mais fé!

Confiram o Twitter do Papa: @Pontifex

PROFISSIONAIS DO BUMBUM

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Estarrecido. Essa seria a melhor palavra para descrever meu status no dia de hoje. Já nas primeiras horas da manhã, este blogueiro foi alvejado por uma informação importante a respeito de um concurso que está estampando, graciosamente, a capa dos principais sites de notícias do país: o Miss Bumbum 2012. Um festival de traseiros esféricos e delineados para dar (sem polissemia) e vender.

O fato alarmante foi saber os valores do concurso. A primeira colocada ganha cinco mil reais; a segunda, três mil. Disparate! Na verdade o mercado é tão capitalista que não paga muito pelo que a natureza faz. Tudo bem que a maioria destas mulheres vivem em academias, salões de beleza, câmaras de bronzeamento, mas dali a ganharem apenas cinco mil cruzeiros pelo que a genética lhes deu? Um absurdo.

Conceitos deveriam ser reavaliados. Elas estudaram. Com certeza todas têm o maternal completo. Mas não sei se vocês sabiam: o corpo também pode ser objeto de estudo! É só passar um rabo de saia que os homens passam a estudá-lo detalhadamente.

O mais engraçado é ver este tipo de notícia vendendo. As modelos concorrentes, durante a semana, ficam se exibindo através de fotos provocantes no Twitter ou vídeos em que fazem sensuais stripteases para angariar mídia a seu favor. Eu sempre digo que devemos fazer o melhor com as ferramentas que Deus nos deu. Jesus usava a sabedoria; Getúlio, discursos apaixonados e populistas. As concorrentes ao Miss Bumbum usam suas habilidades com os glúteos – quão durinhos são, quão esféricos são, quão batidos são.

Acho que as profissionais da bunda deveriam ser mais bem valorizadas. Sabe como é, trata-se de uma profissão que viu um paulatino crescimento na última década. Enquanto isso, elas permanecem na informalidade. O concurso é um trampolim para o sucesso que virá depois, entre quatro paredes, de preferência com algum empresário bem rico. Chega disso! Valorização da bunda já! Jogadores de futebol ganham 500 mil pela perna. Que elas ganhem algo semelhante!

E aqui foi um desabafo de um contribuinte indignado. Muitas classes necessitam valorização. A bunda é apenas mais uma delas.

#SALVEM O BUMBUM!

[EDITADO] – Extra. Extra. Foi eleita a Miss Bumbum 2012. Parabéns! E que use sua “coroa” para o bem (EU JÁ DISSE, SEM POLISSEMIA!).

PAIXÃO NÃO SE EXPLICA

Crédito Juan Barbosa Agência RBS

Crédito: Juan Barbosa, Agência RBS

Entre paixão e amor há uma grande diferença. Paixão é o que se viu no GreNal de ontem, ocorrido no Olímpico. O jogo marcou a despedida da casa gremista, que agora partirá em direção a um novo e moderno estádio – a Arena. Acirrada desde o início, a partida se desenvolveu em discussões acaloradas de bar, violência dentro de campo e a boa e velha rivalidade se repetindo no esporte mais amado pelos brasileiros.

O GreNal 394 teve diversos ingredientes que, jogados no caldeirão do futebol, tornaram-o especial. De um lado, gremistas comemoraram – e muito – o fato de não terem perdido no último jogo oficial do estádio Olímpico. Os colorados, do outro, saíram vencedores por segurarem o empate em uma partida que terminaram com nove jogadores.

Paixão não se explica, pois mesmo no cenário lúdico do futebol, onde jogadores ganham salários de contos de fada, há uma luta intensa e, por vezes, ríspida pela defesa do seu time do coração. Se o time não conquistou títulos neste ano, as esperanças se renovam automaticamente para o ano que vem. Trata-se de algo cego, incondicional e volátil. Amar, entretanto, é algo inabalável.

Ao final da partida, sentimentos confusos tomaram conta de todos. A boa e velha discussão de quem “venceu mais” entrou em campo. E aí aparece a constatação de que paixão não se explica. Não há argumentos, há achismos. Extremamente subjetivas, todas as manifestações do pós-jogo defendiam o lado Maragato ou Chimango (em um duelo sem mediadores do pleito).

O amor não é tão irracional. Ele te dá a qualidade de pensar um pouco mais nos fatos. Hoje me vi de cara com opiniões, de gremistas e colorados, arrependidas. “De cabeça fria”, as coisas faladas ontem geraram constrangimento. Mesmo inverdades tornam-se armas. Ignorâncias viram verdades! Se as pessoas pensassem com amor, ao invés de paixão, não falariam tantas bobagens das quais se arrependeriam. E o futebol é apenas mais um exemplo disso.

De qualquer modo, o GreNal de ontem entrou na história. Não houve vitoriosos ou vencidos, apenas rivalidade. E que as pessoas pensem com amor, como fizeram os torcedores gremistas após perceberem que o Olímpico não seria mais seu estádio. Choro torrencial espalhando-se de forma viral naquela que foi a casa do Grêmio durante 58 anos.

– ADEUS, SALÃO DE FESTAS (de um apaixonado colorado).

– ADEUS, OLÍMPICO (de um racional colorado que reconhece importância do estádio para a história do clássico GreNal).

GUIA DA SEXTA-FEIRA

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Sexta-feira, final de semana chegando. Trata-se do melhor dia criado pelo homem, pois ainda falta um bom tempo para a segunda-feira, onde tudo recomeça. Resolvi fazer um guia sobre a sexta, ou melhor, sobre como as pessoas a interpretam. Ninguém vai conseguir fugir dessa regra!

07 – 09h

As pessoas acordam, tomam banho, removem as marcas de travesseiro do rosto. As mulheres, mais caprichosas, levantam mais cedo do que o usual para garantir alguns olhares ao longo do dia. Falo de maquiagem, “óbivu”. Todos realizam sua higiene pessoal – e mental – em tempo hábil para chegar ao trabalho no horário. Entretanto, eles não contam com o algoz de nosso tempo: o trânsito. Às vezes é necessário acordar mais cedo ainda por causa do maldito trânsito.

09 – 12h

Alguns ainda estão atrasados. Alguns caíram da cama e tiveram que correr mais que Usain Bolt para não se atrasar. Algumas mulheres dão os últimos retoques no espelho retrovisor do carro. Mas todos conseguem chegar. Chegam, entretanto, com uma autoacusação talhada na testa: “me atrasei, não me punam por isso”. O que não sabem é que o dia já se iniciou pululando e o atraso de alguns minutos não é notado da forma que deveria.

Começa o dia mais longo da semana, pois o “findi” está logo ali.

12 – 14h

Depois de uma manhã cansativa é justo que trabalhadores, funcionários, servidores e estagiários partam para um merecido almoço. A comida é pouca e cara. Não vale seu custo e sabor, mas engana a barriga para o happy hour que virá à noite – regado a uma geladíssima cerveja e batatas fritas fumegantes. Todavia, essa não é uma regra universal. Você pode ser um pai de família e chamar uma pizza para a mulher e filhos. Quem sabe comer uma pipoca ao lado da pessoa que gosta? É sexta-feira, gente! Pode-se dispor desse luxo.

14 – 16h

Período tenso do dia. O final do expediente ainda está muito longe. Trata-se de um horário crítico onde ninguém quer se envolver, onde todos retiram seu time de campo para não acabarem em uma empreitada que consumirá a tarde e mais um pouco! O sistema nervoso grita “danger”; melhor ficar quietinho do que se arriscar. Alguns se salvam, outros pagam pelo azar (ou pela proatividade).

16 – 18h

Falta tão pouco, não? Que beleeeeza. As últimas duas horas passam correndo. A sexta se rende à imponência do final de semana. O céu é o limite. Só não façam, na sexta, algo que os deixe com vergonha na segunda-feira. Afinal, ninguém que fazer uma besteira e cair no assunto popular. Lembre-se: a libertação deve ser seguida de uma não descartável cautela!

18h em diante

BOM FINAL DE SEMANA!

DEFINA VIRGINDADE

Virgindade não é bom para a natureza… desperdiça água! O homem está louco por vingança!

CAR WARS

Meu carro é a segunda coisa que mais aprecio no mundo após minha família. Contudo, ele me joga no meio de difíceis decisões. Como enfeite, carrego – preso ao espelho retrovisor – um chaveiro de Lego do Darth Vader, da série Star Wars. O personagem é o vilão dos filmes de George Lucas e se tornou um ícone da maldade. Mas esse mal não poderia ficar incólume, sem uma força que o combatesse: olho para a chave do carro, já aplicada à ignição, e lá está outro personagem importante da saga: mestre Yoda.

Com o veículo em movimento, os dois chaveiros disputam minha atenção. Darth Vader se beneficia por estar em um local de mais fácil visualização. Com ele, as coisas seriam simplificadas. Pra que respeitar a faixa de pedestres? Por que acelerar apenas a 60 km/h se o carro me oferece o potencial de muitos km mais? Yoda, entretanto, escondido pela direção, me mostrava os perigos do tráfego e como uma simples atitude mal pensada pode afetar a vida de inocentes.

Parei e olhei para os dois. Disse, em voz alta: “vocês são bonequinhos inanimados. Parem de tentar me controlar”. Em vão. Eu deveria seguir um lado, o bem ou o mal. Darth Vader permaneceu com o olhar fulminante direto em minha direção. Seria possível? Alguma energia estranha emanava daquele boneco. Mas Yoda não deixou por menos. Usou de sua sabedoria e disse para mim: “faça ou não faça, não há tentativa”.

E nessa guerra por meu destino, eu permaneci, acreditando que estava louco em função de uma noite mal dormida. Percebi que os dois personagens eram representações do meu próprio eu. De um lado, o potencial para burlar as normas de trânsito e causar terríveis acidentes. Do outro, a capacidade de ser retilíneo, respeitando a tudo e a todos – a mesma que carrego para todos os outros aspectos da vida.

O sinal iluminou-se em amarelo. Restou a mim uma importante decisão: acelerar, trocando o momento de atenção por um prolongamento do sinal verde, ou me resguardar em segurança? Darth Vader disse para eu pisar no acelerador, assim como havia dito para eu pegar o carro após beber, semanas antes. Nunca havia obedecido a ele e, mais uma vez, continuei invicto.

Yoda me olhou com satisfação. Eu, um jovem aprendiz, havia seguido os passos do Mestre e não sucumbi ao lado sombrio da força. Pena que fui único. Na mesma sinaleira, Darth Vader contaminou alguns motoristas que aceleraram no sinal amarelo e quase causaram um acidente no cruzamento da via. Outros, ainda, ficaram no meio do caminho, bloqueando a passagem dos que vinham por uma pista perpendicular.

O trânsito está cheio de boas e más decisões. As más, infelizmente, custam milhares de vidas todos os anos em nosso país. Quando dirige, você é Darth Vader ou Mestre Yoda? Pense muito bem nisso.

BEATLES NO ED SULLIVAN SHOW

Vídeo histórico. A primeira aparição dos Beatles no “Ed Sullivan Show”, um famoso programa americano de variedades. Confiram!