4191papaiQuando pequeno, nas noites de Natal realizadas na casa de minha avó, Natal era sinônimo de grande felicidade para aquele garotinho gordinho que desfrutou de uma maravilhosa infância nos anos 90. O dia 25 não representava apenas uma confraternização em família, mas também comer como um rei e ganhar muitos, muito presentes. Que criança não adora muitos, muitos presentes?

O Papai Noel se anunciava com um sininho. Eu corria para tentar flagrá-lo, mas nunca conseguia. Na porta, em embalagens de diversas lojas da cidade, os tão esperados presentes. Por alguns momentos, ficava entretido com eles, já prevendo futuras ondas de diversão veranista. Eu mereci, afinal, fui um bom menino o ano inteiro, sendo amigo de meus amigos e tirando boas notas na escola. Contudo, quando os presentes acabavam eu me fazia uma pergunta: por que Papai Noel é tão injusto e dá tanto para alguns e tão pouco para muitos? Os presentes que terminavam para mim nunca chegavam para outras crianças espalhadas ao redor do mundo.

Foi assim que, numa tarde qualquer, caminhava pela rua e observei alguns pequenos em tal situação. O rosto sujo e a mão pedinte por alguns trocados que seriam administrados – ou mal administrados – por pais que lhes conceberam sem condições de sustentá-los. A cena, mais do que a perda da infância, era a incursão no cenário da vida adulta, com a luta diária pela sobrevivência. Naquela circunstância social degradante, o melhor presente de Natal não seria um bonequinho ou um carrinho de controle remoto, mas sim um prato de comida.

Pensei bastante. Dar dinheiro a eles não significava que estaria dando dinheiro a eles. A doação poderia ser transferida automaticamente ao pai alcoólatra ou à mãe prostituta, que fariam mal uso dela. A criança, entretanto, não tinha culpa de sua condição socioeconômica. Ela é pura por natureza. E eu, podendo oferecer apenas minhas melhores intenções, não conseguiria fazer nada para mudar seu destino.

O Natal é motivo para o encontro familiar, a festa, o abraço, mas também deveria ser um momento de agradecimento por tudo que temos. Quando vejo essa corrida desesperada pelo consumo lembro-me daqueles que nada têm, nem um centavo a gastar para agradar seus entes queridos. Para as crianças, entretanto, a data é muito mais significativa. É a magia do presente – mínimo que seja – que lhes faz acreditar na existência de um Bom Velhinho; um homem que zela por todos nós. Todos nós!

Neste Natal, portanto, não faça de seu presente um valor pecuniário trocado por uma mercadoria. O presente é, na verdade, uma mensagem de amor àqueles que você ama. Uma doação para uma instituição beneficente também é uma forma de amor que você prestará à humanidade. Façamos o dia 25 de dezembro de 2012 duplamente qualificado pelas boas vibrações do período e pela renovação dos sonhos.

Jamais deixem o sonho morrer! FELIZ NATAL!

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