1-dependencia

Em um tortuoso e torturante temporal acontecido em Porto Alegre, os cidadãos sofreram com a falta de energia elétrica. Ventos de mais de 120 km/h arrancaram árvores, destelharam casas e espalharam a destruição por onde passaram, inclusive em zonas nobres da cidade. A imagem das nuvens carregadas, em altitude baixa, foi como se o final do mundo estivesse realmente chegando. Felizmente, ele não chegou.

No dia seguinte, quem dera aparecesse a bonança. As consequências da tempestade permanecem, sendo que, em alguns pontos da cidade, ainda há muitas famílias sem abastecimento de luz. Ao chegar ao trabalho nessa terça-feira, sofri deste mesmo mal. Encontrei duas colegas paradas, olhando uma para a outra, sem saber exatamente o que fazer. A constatação que faço de tudo isso? Não existe mais mundo analógico, apenas digital.

Tal qual a discussão lançada semana passada sobre Ebooks e livros impressos, me subscrevo a discutir esse assunto. O trabalho diário é uma constante dependência humana pelas novas tecnologias. De prontidão, lhes aviso: não há caminho de volta. Quando cheguei na sala de trabalho e nada pude fazer, tive de estender meu horário de almoço e praticar a arte que mais gosto: a leitura. A luz voltou por volta das 14h e não só as máquinas religaram, mas também o cérebro das pessoas que, na impossibilidade de se utilizar de seus recursos tecnológicos, se desligou.

Fico imaginando, entretanto, nas poucas horas que tenho para sonhar, sobre essa constante dependência das máquinas. Não há ser humano que viva sem elas. Se viver, é um monge fiel ou um alienado. Mas e se ocorrer um colapso? E se todos os nossos dados fossem, simplesmente, apagados? Todos os nossos registros, valores nos bancos, informações espalhadas pela rede. O que seria feito de nós?

Caos, balbúrdia, pandemônio e debacle. São algumas palavras que me vem à cabeça. Voltaríamos à Idade da Pedra. Não haveria ricos ou pobres e o ser humano voltaria a ser puro, um animal racional. Os ricos tentariam manter sua hegemonia, mas os pobres se rebelariam. Saques, confusão até que uma nova ordem surgisse para controlar tudo e todos.

De qualquer modo, perdoem minha epifania. As tecnologias são benfazejas ao ritmo diário da vida. Todavia, sua dependência deve ser avaliada com cuidado. Não apenas eu, mas diversas pessoas espalhadas pela cidade certamente ficaram desnorteadas. A pergunta que deve ser feita é a seguinte: até que ponto o desligamento do meio eletrônico gera o desligamento do meio humano?

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