NOVO BLOG

Gente, lembrem que o Gato Gordo morreu! O novo blog é:

Falácias - Web2

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O FIM DO GATO GORDO

Eu estava com o Gato Gordo perto de fim. Ele, envolto em um novelo de lã, respirava pesadamente após um coquetel de remédios. Para aqueles desordenados em relação à alimentação, um dia a vida cobra seu preço. Entretanto, depois de tanto tempo juntos, providenciar uma passagem mais tranquila para meu amigão era uma obrigação inalienável de minha parte.

Gato Gordo exalava seus últimos e esforçados miaus. Com dificuldade, chegou perto do meu ouvido e pronunciou em linguagem felina: “bacon”. Naquele estado, não achava que tal alimento infiel pudesse fazer bem ao moribundo gatinho. Mas, como parte de minha promessa, atenderia ao desejo.

Após a refeição, ele parecia estar em paz. Dormiu por 18 horas respeitando ao ciclo natural de comida, sono e banheiro – ou caixa de areia. Renovado, Gato Gordo parecia estar melhorando a conta gotas. Minha mente, todavia, estava nublada pelas doces expectativas. Aproveitando-se da situação, o gato fez um segundo pedido: “calabresa”. Bacon e calabresa. Indubitavelmente, uma última refeição para ser lembrada. Naquela altura eu já começava a suspeitar das reais intenções daquela galinha peluda disfarçada de gato.

Eu não sou gênio da lâmpada, mas prometi conceder três desejos ao Gato Gordo. Decidi que não forneceria mais qualquer veneno travestido de alimento para ele. Mas era difícil suportar aquela delicadeza felina. Como se jamais tivesse pedido nada, o gatinho se aproximou para seu último ato em vida: “um abraço”. Depois de tanto tempo juntos, construindo uma história de mais de 300 crônicas, era o mínimo que eu poderia fazer. Dei um abraço fraternal na bola de pelos. E aí o gato virou um gatuno. O afago serviu apenas para que ele pegasse o sanduíche de queijo que eu guardava no bolso de meu casaco. Baita safado. Fiz aquele sanduba com o carinho de uma avó querendo agradar o neto. Mas ele me foi roubado.

Naquela altura eu já estava pensando: “mas vai para o diabo que te carregue, seu gato maldito”. As crônicas sempre foram minhas, o felino só me emprestou sua lata engraçadinha. E assim me serviu durante quase dois anos. Mas a morte de Gato Gordo não poderia ser esquecida. Colocar outro animal no lugar, como um cachorro, um bezerro ou um rinoceronte seria uma afronta a sua memória. Colocar outro gato, então, nem se fala.

Após seu último suspiro, notei que era hora de mudar. Quem cresceu não foi o gato, mas sim eu, um cronista das figurações. O Gato se foi, mas o blogueiro fica. O blog do Gato Gordo morre com seu paraninfo e, das cinzas, surge um novo blog, uma nova ordem mundial.

Sem máscaras, sem gatinhos engraçadinhos. O nome blog levará o nome de seu dono e único contribuinte. As mesmas crônicas do passado dirigindo as crônicas do futuro.

Confiram: http://gabrielguidotti.wordpress.com/

Gato Gordo, requiescat in pace.

DEZEMBRO

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Os meses passam sem percebermos. Dia a dia, semana por semana, chegamos ao final do ano e sempre fazemos a indispensável constatação: “Nossa, passou voando!”. E passou mesmo. Todos os anos passam, mas é só olharmos para trás para vermos a quantidade de atividades que desempenhamos. O ano só passou rápido, pois foi produtivo. Ele só passa rápido, pois temos responsabilidades.

Dezembro é um mês diferente. O clima é diferente. As pessoas estão mais abertas ao diálogo e à solidariedade. Acima de tudo, é o mês da alegria contemplada pelas festas de final de ano. Famílias se reúnem; sorrisos florescem de forma esfuziante. Trata-se de um período de reflexão ao que passou e ao que virá.

Começar as promessas para o próximo janeiro é uma característica de dezembro. O ciclo é inevitável: todos os anos idealizamos metas, objetivos. Os que não tiverem sido correspondidos voltam à pauta no dezembro do ano seguinte. Entre as principais promessas estão a casa própria, um carro novo ou qualquer outra conquista nesse sentido. Entristece-me saber que poucos prometem reparar o essencial: o teto de vidro. Ao invés de uma casa própria; pais melhores. No lugar de um novo carro, mais compreensão. É tão difícil se renovar assim?

Façamos deste mês, aproveitando a sobrevivência da humanidade após um frustrado final dos tempos, um momento de recomeço. Ou pelo menos deixem a depressão para março, quando o retorno, após férias coletivas de grande parte da população, é garantido. Dezembro é tempo para a celebração de estar com aqueles que você ama. Aproveite ao máximo, cada dia, cada hora, pois o futuro resguarda o imprevisível.

Lembre-se, o passado está morto, é o presente que nos move. Não deixem dezembro passar em branco! A palavra do momento é renovação!

OS PRESENTES DO BOM VELHINHO

4191papaiQuando pequeno, nas noites de Natal realizadas na casa de minha avó, Natal era sinônimo de grande felicidade para aquele garotinho gordinho que desfrutou de uma maravilhosa infância nos anos 90. O dia 25 não representava apenas uma confraternização em família, mas também comer como um rei e ganhar muitos, muito presentes. Que criança não adora muitos, muitos presentes?

O Papai Noel se anunciava com um sininho. Eu corria para tentar flagrá-lo, mas nunca conseguia. Na porta, em embalagens de diversas lojas da cidade, os tão esperados presentes. Por alguns momentos, ficava entretido com eles, já prevendo futuras ondas de diversão veranista. Eu mereci, afinal, fui um bom menino o ano inteiro, sendo amigo de meus amigos e tirando boas notas na escola. Contudo, quando os presentes acabavam eu me fazia uma pergunta: por que Papai Noel é tão injusto e dá tanto para alguns e tão pouco para muitos? Os presentes que terminavam para mim nunca chegavam para outras crianças espalhadas ao redor do mundo.

Foi assim que, numa tarde qualquer, caminhava pela rua e observei alguns pequenos em tal situação. O rosto sujo e a mão pedinte por alguns trocados que seriam administrados – ou mal administrados – por pais que lhes conceberam sem condições de sustentá-los. A cena, mais do que a perda da infância, era a incursão no cenário da vida adulta, com a luta diária pela sobrevivência. Naquela circunstância social degradante, o melhor presente de Natal não seria um bonequinho ou um carrinho de controle remoto, mas sim um prato de comida.

Pensei bastante. Dar dinheiro a eles não significava que estaria dando dinheiro a eles. A doação poderia ser transferida automaticamente ao pai alcoólatra ou à mãe prostituta, que fariam mal uso dela. A criança, entretanto, não tinha culpa de sua condição socioeconômica. Ela é pura por natureza. E eu, podendo oferecer apenas minhas melhores intenções, não conseguiria fazer nada para mudar seu destino.

O Natal é motivo para o encontro familiar, a festa, o abraço, mas também deveria ser um momento de agradecimento por tudo que temos. Quando vejo essa corrida desesperada pelo consumo lembro-me daqueles que nada têm, nem um centavo a gastar para agradar seus entes queridos. Para as crianças, entretanto, a data é muito mais significativa. É a magia do presente – mínimo que seja – que lhes faz acreditar na existência de um Bom Velhinho; um homem que zela por todos nós. Todos nós!

Neste Natal, portanto, não faça de seu presente um valor pecuniário trocado por uma mercadoria. O presente é, na verdade, uma mensagem de amor àqueles que você ama. Uma doação para uma instituição beneficente também é uma forma de amor que você prestará à humanidade. Façamos o dia 25 de dezembro de 2012 duplamente qualificado pelas boas vibrações do período e pela renovação dos sonhos.

Jamais deixem o sonho morrer! FELIZ NATAL!

GUERRA DOS MUNDOS

Em 1938, um homem chamado Orson Welles – radialista da CBS – transmitiu uma novela radiofônica denominada “Guerra dos mundos”, baseada no homônimo livro do inesquecível escritor H. G. Wells. Em tom jornalístico, a peça se estendeu ao longo da programação da emissora, com informes especiais sobre o status de uma suposta invasão alienígena ao planeta Terra.

O programa foi tão bem executado que gerou pânico na população da costa leste dos EUA. Estradas ficaram congestionadas, pessoas desesperadas corriam para estocar comida e alguns, inclusive, cometeram suicídio. A novela se tornou um sucesso absoluto e foi o passaporte de Welles para sua brilhante carreira no cinema que viria depois.

Em um momento onde muitos pregam o final dos tempos, lembrei deste acontecimento. Disponho, para tal, a íntegra do programa exibido em 1938. Confiram e, se o mundo terminar amanhã, excelente ocaso!

MÍDIA E CONTEÚDO

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Devo avisar, antes de começar esta crônica, que os leitores serão alvejados por um espasmo cultural. Afinal, os desenlaces românticos dos artistas são informações de extrema importância para o mundo. Mais do que isso, a lingerie que a “Miss Bum Bum” está usando aguça os sentidos sexuais. E, ainda, frases polêmicas de pessoas que subsistem com a polêmica. Essa é a dinâmica do dia a dia em sites sobre celebridades.

O expoente da mídia sensacionalista artística é o craque Neymar. Seu Twitter virou a principal ferramenta de comunicação – talvez do mundo inteiro. É só o jogador publicar uma nova foto que, na sequência, a mesma estará postada com destaque na capa dos principais sites de notícias. E não interessa qual foto. Pode ser uma careta, um novo visual capilar ou alguma “maria chuteira” que pediu para o craque postar uma imagem em conjunto – aparecer é a alma do negócio.

O valor da notícia sobre celebridades é algo discutível. Se uma pessoa famosa descobriu que tinha câncer, há informação por sua notoriedade. Se um famoso leva seu carro ao mecânico, não. Entretanto, os dois casos são divulgados. Afinal, o que é relevante? Pegando como exemplo a revista Época, uma das mais tradicionais e respeitadas desse país, há de se avaliar a quantidade de “curtidas” no Facebook: 165 mil pessoas. Em contrapartida, o site de famosos do Yahoo já se aproxima de meio milhão de seguidores na rede social.

Seria nadar contra a maré criticar o jornalismo de celebridades. É um caminho crescente e em polvorosa. As pessoas ganham seu dinheiro caçando artistas em várias situações do dia a dia. Geralmente, as fotos mais bem remuneradas são as comprometedoras. Aos famosos, cabe entender de forma tranquila sua fama, a ponto de não enlouquecer – ou precisar de um coquetel de remédios para sobreviver.

A mídia, contudo, não nos oferece apenas notícias sobre celebridades. Ligo a televisão nessa terça-feira (19), em um canal de grande audiência da televisão brasileira, e vejo a derrocada da humanidade. O jogo era complexo: um homem, um transeunte da vida, teria uma oportunidade única de ganhar um dinheiro extra. Para tanto, todavia, deveria se submeter a um procedimento alimentício heterodoxo. Entre os pratos, testículos de bois, fígado e algumas carnes quase cruas. O objetivo era constranger o participante até que gorfasse ou desistisse. Ele desistiu, mas ganhou alguns mil reais.

Atualmente nos vemos de frente com um sério problema de conteúdo. É também por culpa dos meios de comunicação que a população elege palhaços, jogadores de futebol ou potenciais corruptos para o governo. Se, ao invés de mostrar uma pessoa vomitando, a TV provesse cultura, educação, o país seria bastante diferente. A comunicação, contudo, é feita de empresas, interesses particulares. O povo não é sua responsabilidade; sua audiência sim.

Não desejo generalizar, mas o lixo eletrônico está se propagando de forma preocupante. Queremos cidadãos conscientes ou moleques atrás de um computador?

O HOBBIT

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“Bilbo Bolseiro é um hobbit que leva uma vida confortável e sem ambições, raramente aventurando-se para além de sua despensa ou sua adega. Mas seu contentamento é perturbado quando Gandalf, o mago, e uma companhia de anões batem em sua porta e levam-no para uma expedição que mudaria sua vida”.

De filmes, não entendo. Ou melhor, meus gostos para filmes existem quando enxergo neles qualidade literária. E de livros eu entendo, pois gosto muito de ler. “O Hobbit” foi apenas mais um que passou por minha vasta bibliografia. Assim, posso afirmar que se trata de uma obra prima que mistura a ação insinuante de “O senhor dos anéis” com todo o humorismo e doçura dos melhores contos de fada da Disney.

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O filme baseado no livro, sob a direção de Peter Jackson, estreou na última sexta-feira nos cinemas brasileiros. Provavelmente, conforme a trilogia original, a adaptação será uma crescente que assomará a um impactante final. Assim como diversas adaptações literárias ao cinema, há uma tendência bastante evidente nesta película: a gênese do livro não basta. É necessária a adição de elementos extras – hollywoodianos – à narrativa.

Assisti ao filme e posso dizer que não me arrependi. Apesar de temer a encheção de linguiça da transposição de um livro de 300 páginas para três filmes de longuíssima duração, o Hobbit me agradou. Notei os mesmos elementos de sucesso de “O Senhor dos Anéis”: adaptação bem feita, belíssimos efeitos de computação gráfica e um ótimo enredo. Isso, por si só, já foi suficiente para que o novo filme batesse recordes de bilheteria – a estreia já arrecadou mais que qualquer lançamento feito em dezembro na história.

O Hobbit é uma história lúdica sobre a vida. Anões gordos e preguiçosos, um mago e uma pequena criatura do Condado se unem em uma comitiva para retomar Erebor – um território perdido há anos pela fúria de um dragão chamado Smaug. Entre embates com trolls, auxílio de elfos e o aparecimento de criaturas místicas, a trama se desenvolve no mesmo ambiente característico já conhecido pelos fãs de Tolkien.

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Mas o filme em si não me surpreendeu tanto quanto o capitalismo. Sim, o capitalismo. Saio do cinema e me dirijo ao uma livraria do shopping em que estava. Lá, em exposição com grande destaque, encontro alguns livros que tratavam do assunto “Hobbit”. Eu achava que existia apenas um. E acertei, conforme o referencial. Há apenas um livro de seu criador, J.R.R. Tolkien, entretanto, há diversos genéricos espalhados por aí. Reparem nas bombas:

– Hobbit de A a Z.

– Encontrando Deus em o Hobbit (?????????????????????????????).

– A sabedoria do Condado.

Se valer a dica, passem longe! Basta ler a obra original para dispensar todos os genéricos.

CORINTHIANS CONQUISTA O MUNDO

Corinthians campeão

A estratégia de publicidade é perfeita para o caso: “contra todos”. Foi assim que o Sport Club Corinthians Paulista sagrou-se, na manhã do último domingo (16), campeão mundial de clubes. O Brasil secou, mas não deu. O time azeitado, preparado por um sólido projeto nos anos que antecederam o mundial, deu a resposta dentro do campo aos rivais. E tudo passou pelas mãos do gaúcho Tite, o maior treinador do Brasil na atualidade.

O Corinthians, todavia, é uma vez campeão mundial. O campeonato de 2000, organizado pela FIFA, não pode ser considerado, pois o clube paulista não foi campeão da Libertadores – critério de excelência para um time conquistar o direito de disputar a competição continental. Entretanto, a FIFA, dentro de suas decisões duvidosas, reconhece o título corintiano como o “primeiro”. É curioso. O São Paulo Futebol Clube, de acordo com este expediente, tem três libertadores e apenas um título mundial (conquistado em 2005). O Corinthians tem apenas uma libertadores e dois títulos mundiais. Não há uma inconsistência?

Admito que não assisti o jogo, mas liguei a TV para ver, ao vivo, o exato momento do gol. Azar meu, pois foi um tanto quando decepcionante (faço parte da grande massa que torce contra). Mas neste ano a sorte estava com o Corinthians. Sorte e competência, diga-se de passagem. É claro, sorte, competência e uma mãozinha da televisão que dá ao clube paulista, e ao Flamengo, quase o dobro do que oferece a Grêmio e Internacional, por exemplo. É verdade, os dois clubes lideram o ranking das cotas, pois possuem a maior torcida. Com a maior torcida, entretanto, mais jogos são exibidos e os melhores patrocínios são adquiridos. E falo isso com argumentos: seja qual for o canal, a televisão brasileira faz o Corinthians descer goela abaixo.

Se um clube ganha 84 milhões e o outro 55, já um desequilíbrio considerável. Com valores maiores é possível comprar jogadores melhores. A tendência, assim, é que no Brasil aconteça o que acontece na Espanha: o futebol se tornará apenas dois clubes (Barcelona e Real Madrid). Não estou tirando o mérito do Corinthians, pois o Flamengo, que ganha valor igual, terminou o campeonato brasileiro na rabeira da tabela, enquanto o clube paulista ganhou campeonato brasileiro (2011), a libertadores e mundial deste ano.

Mas, como afirmei, em uma época onde o futebol é dinheirismo, quem tem mais acaba seguindo uma tendência de conquistar mais. Esperemos que, no futuro, ainda haja competição entre clubes brasileiros e não supremacia.

COLAPSO ELETRÔNICO

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Em um tortuoso e torturante temporal acontecido em Porto Alegre, os cidadãos sofreram com a falta de energia elétrica. Ventos de mais de 120 km/h arrancaram árvores, destelharam casas e espalharam a destruição por onde passaram, inclusive em zonas nobres da cidade. A imagem das nuvens carregadas, em altitude baixa, foi como se o final do mundo estivesse realmente chegando. Felizmente, ele não chegou.

No dia seguinte, quem dera aparecesse a bonança. As consequências da tempestade permanecem, sendo que, em alguns pontos da cidade, ainda há muitas famílias sem abastecimento de luz. Ao chegar ao trabalho nessa terça-feira, sofri deste mesmo mal. Encontrei duas colegas paradas, olhando uma para a outra, sem saber exatamente o que fazer. A constatação que faço de tudo isso? Não existe mais mundo analógico, apenas digital.

Tal qual a discussão lançada semana passada sobre Ebooks e livros impressos, me subscrevo a discutir esse assunto. O trabalho diário é uma constante dependência humana pelas novas tecnologias. De prontidão, lhes aviso: não há caminho de volta. Quando cheguei na sala de trabalho e nada pude fazer, tive de estender meu horário de almoço e praticar a arte que mais gosto: a leitura. A luz voltou por volta das 14h e não só as máquinas religaram, mas também o cérebro das pessoas que, na impossibilidade de se utilizar de seus recursos tecnológicos, se desligou.

Fico imaginando, entretanto, nas poucas horas que tenho para sonhar, sobre essa constante dependência das máquinas. Não há ser humano que viva sem elas. Se viver, é um monge fiel ou um alienado. Mas e se ocorrer um colapso? E se todos os nossos dados fossem, simplesmente, apagados? Todos os nossos registros, valores nos bancos, informações espalhadas pela rede. O que seria feito de nós?

Caos, balbúrdia, pandemônio e debacle. São algumas palavras que me vem à cabeça. Voltaríamos à Idade da Pedra. Não haveria ricos ou pobres e o ser humano voltaria a ser puro, um animal racional. Os ricos tentariam manter sua hegemonia, mas os pobres se rebelariam. Saques, confusão até que uma nova ordem surgisse para controlar tudo e todos.

De qualquer modo, perdoem minha epifania. As tecnologias são benfazejas ao ritmo diário da vida. Todavia, sua dependência deve ser avaliada com cuidado. Não apenas eu, mas diversas pessoas espalhadas pela cidade certamente ficaram desnorteadas. A pergunta que deve ser feita é a seguinte: até que ponto o desligamento do meio eletrônico gera o desligamento do meio humano?

OS SERVIÇOS NÃO FUNCIONAM

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Achar um serviço que funcione sem reclamações dos clientes é uma tarefa digna de Hércules. Para tudo o consumidor se incomoda, seja nos prazos que não são cumpridos, na morosidade do atendimento ou na irritação pela quebra de expectativas. De casos como esses, os juizados estão cheios e as demandas só tendem a crescer se não houver um aprimoramento do atendimento por parte das empresas responsáveis.

Na manhã de ontem, a internet da NET caiu em minha casa. Quedas como essa são tão constantes que a surpresa vem quando não ocorrem. O serviço é insuficiente e nos abandona quando mais precisamos. O sinal se foi nas primeiras horas da manhã e assim perdurou pelo resto do dia, até suas últimas horas. Para minha felicidade – e necessitando rapidamente da rede para o trabalho – a internet voltou por volta das 11h da noite. O prejuízo, entretanto, já estava estabelecido.

Em relação a NET, o PROCON, recentemente, notificou a empresa para que aplique melhorias em seus serviços, principalmente nos call centers, que não respondem de forma eficiente as perguntas dos clientes. Isso sem contar outras coisas, como as misteriosas quedas de ligação durante solicitações de cancelamento. A iniciativa foi tomada em função de crescimento de 66% nas reclamações de janeiro a setembro de 2012. A SKY se encontra nessa mesma barca.

Mas os absurdos não param por aí. Em casa, algumas cortinas necessitavam lavagem. Levei-as até a lavanderia Chuá, uma das mais requisitadas da cidade Porto Alegre. Alguns dias depois, fui buscá-las e, para minha surpresa, a nota de pagamento apontava um valor bastante inferior ao combinado. De início, achei estranho, mas logo entendi o porquê. As cortinas haviam sido manchadas. O preço caiu, de R$ 121,00, para R$ 43,00 e alguns quebrados. Imaginem a guerra que foi até convencê-las que deveriam me dar cortinas novas? Não queiram imaginar, pois essa guerra ainda persiste.

E aí cresce o descrédito da população nos serviços oferecidos. Creio que isso seja um paradoxo do mercado: as empresas remuneram tão mal seus funcionários que eles acabam saindo rapidamente para oportunidades melhores. O segredo de um serviço eficiente é ter profissionais que fiquem longos anos em uma empresa, crescendo e passando por etapas dentro dela. Todavia, essa não parece ser a realidade do novo século. Trocar de emprego é como trocar de roupa.

De qualquer modo, não posso acusar essa justificativa como definitiva. Independente da rotatividade de funcionários, o cliente não tem culpa nessa realidade. É obrigação das empresas oferecer um atendimento de qualidade ao consumidor!

Entretanto, o serviço permanece ruim.